"Frozen: Uma Aventura Congelante"
Vamos ao cinema!!!
Mas é bom e necessário também ler o conto original de Hans Christian Andersen, "A Rainha da Neve". (MVasques).
A animação "Frozen: Uma Aventura Congelante" chega às salas de todo o país nesta sexta-feira (3 de janeiro). O filme é inspirado no conto A Rainha da Neve, do dinamarquês Hans Christian Andersen, e tem direção de Chris Buck (diretor de Tá Dando Onda e Tarzan) e Jennifer Lee(roteirista de Detona Ralph). Bem antes do filme, chegaram ao mercado, produtos licenciados pelaGrow, como o Jogo da Memória e o Quebra-Cabeça. Na onda do filme os brinquedos ganham evidência.
O filme conta com a participação do humorista Fábio Porchat, que empresta a voz para o boneco de neve Olaf. O conto original foi publicado pela primeira vez em 1845 e conta a história de uma luta entre o bem e o mal vivida por um menino e uma menina, Kai e Gerda.
No filme, uma profecia aprisiona um reino no inverno eterno, assim Anna deve juntar-se a Kristoff, um ousado homem da montanha, na maior de todas as jornadas para encontrar a Rainha da Neve e acabar com o feitiço gelado. Encontrando situações extremas, criaturas místicas e mágicas a cada passo, Anna e Kristoff guerreiam contra os elementos em uma corrida para salvar o reino da destruição.
TRAILER COM FÁBIO PORCHAT
***Mais: Jogo da Memória & Puzzle.
Fonte: TV Brinquedos & Grow.
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Uma amostra do Original, de Hans-Christian Andersen:
1. Leia mais, aqui:http://censuralivre.blogfolha.uol.com.br/2013/02/23/o-reino-gelado-recria-em-3d-a-rainha-da-neve-de-andersen/
3. Trailer
Os significados bíblicos em As Crônicas de Nárnia
''As Crônicas de Nárnia possuem figuras com significados muito mais amplos do que se pode imaginar na primeira leitura. Lewis sabia como as crianças têm imaginação ampla e pronta para mais novidades do que os adultos, por isso designou as Crônicas a elas. Nos livros não é comentado claramente o verdadeiro significado ou a base bíblica de qualquer cena ou personagem, apesar de Lewis ter confirmado algumas alegorias ou metáforas em cartas aos seus fãs. Ao contrário de muitos adultos, as crianças logo percebem o que Clive Staples Lewis queria transmitir. Este fato ocorre porque elas estão com suas mentes mais abertas a novidades e informações, além de nunca esperem algo do livro e permitirem que o mesmo transmita tudo a elas.
Na naturalidade da infância, muitas acabam logo percebendo em Aslam a figura de Cristo. O Leão de Nárnia, Aslam, é o único personagem que aparece em todos os sete livros das Crônicas. Ele é o filho do Imperador do Além Mar, é caracterizado como o guardião constante, protetor e ajudante de Nárnia, assim como protetor das crianças do nosso mundo. Aslam criou Nárnia ao cantar sua vida, e trouxe seu fim ao destruí-la. Ele também morreu e logo em seguida ressuscitou quebrando a Mesa de Pedra em O Leão, a Feiticeira e o Guardarroupa. Estes pontos destacam um paralelo entre esse personagem com Deus e Jesus Cristo. O próprio Lewis declarou, certa vez, numa carta a um fã, que esta relação era profunda. Esta comparação fortalece-se quando se ressalta que muitas palavras e atos de Aslam têm uma referência bíblica.
Na história cristã o Deus trino (Pai, Filho e Espírito Santo) envia Jesus (Deus Filho) a Terra para viver entre os humanos e morrer como um sacrifício aos seus pecados, revertendo a lei e criando uma nova aliança com o seu povo. Aslam, em Nárnia, aparece para salvar seu povo e morre em lugar de Edmundo, salvando-o de seu erro, a traição, e revertendo a Magia profunda. Até mesmo os momentos antes de serem aprisionados, a tortura e humilhação são iguais entre os dois personagens. Depois de três dias morto, Jesus ressuscitou com uma aparência ressaltada, explicou algumas coisas aos seus seguidores sobre como deveriam levar a igreja à frente e esperar pelo seu retorno, e então subiu aos céus. Depois de morrer, Aslam também voltou à vida para ajudar seu povo na guerra e depois também sumiu. Diversas vezes é mencionado que o pai de Aslam seria o Imperador do Além Mar, assim como Jesus é filho do Deus Pai, também mencionado ao longo do Novo Testamento.
Acompanhe os textos abaixo, que demonstram as similaridades entre o Deus cristão e Aslam.
- Nárnia: “No escuro finalmente alguma coisa começava a acontecer. Uma voz cantava. Muito Longe. Nem mesmo era possível precisar a direção de onde vinha. (…) Certas notas pareciam a voz da própria terra. O canto não tinha palavras. Nem chegava a ser um canto. De qualquer forma era o mais belo barulho que já foi ouvido. (…) a escuridão em cima estava cintilante de estrelas. (…) Não havia nuvens. (…) Longe, perto da linha do horizonte, o céu se acinzentava. (…) Já se viam formas de colinas recortadas contra ele. E a voz continuava a cantar. (…) o sol nasceu (…) tratava-se de um vale por onde serpenteava um grande e caudaloso rio, na direção do sol. Ao norte, colinas suaves; ao sul, montanhas altas. (…)” “(…) o vale se esverdeava. …São Arvores!” O Sobrinho do Mago (ABU Editora, Os Anéis Mágicos)
Bíblia: “No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo” Gênesis 1.1-2a
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. … Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” João 1.1,3
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. … Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” João 1.1,3
Comparação: Ambas as criações, tanto a bíblica quanto a narniana, partem do escuro e são compostas verbalmente, o canto ou o verbo. No texto de João afirma-se que Deus e Jesus (o Verbo) estariam presentes durante a criação, assim como Aslam lá estava.
- Nárnia: “– Bem… – e Aslam pareceu refletir. – Vou gostar de ter amigos esta noite. Podem vir… desde que me prometam parar quando eu lhes disser, e me deixem depois continuar sozinho.” O Leão, A Feiticeira e o Guardarroupa (Ed. Martins Fontes)
Bíblia:”Disse-lhes então:’A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo” Mateus 26:38(NVI)
Comparação: Lúcia e Susana acompanharam Aslam antes dele se entregar em sacrifício a Edmundo, assim como três apóstolos acompanharam Cristo antes dele ser levado pelos romanos e morto pelos pecados humanos.
- Nárnia: “Mas [Aslam] não fez sequer um ruído, mesmo quando os inimigos [o torturavam]” O Leão, A Feiticeira e o Guardarroupa (Ed. Martins Fontes)
Bíblia: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca;…” Isaías 53:7a
Comparação: De acordo com a história cristão, Jesus não teria reclamado da tortura que sofreu. Da mesma forma, Aslam se silenciou nos momentos em que era machucado.
- Nárnia: “Uma gargalhada mesquinha ressoou quando um ogre, de tesoura na mão, avançou e se pôs de cócoras junto da cabeça do leão. Zip, zip, zip – a tesoura rangia, e montes de caracóis dourados tombavam ao chão. O ogre afastou-se, e, do esconderijo, as meninas puderam ver o rosto de Aslam, pequenino e tão diferente sem a juba! Os inimigos também notaram isso:
– Vejam: não passa de um gatão!” O Leão, A Feiticeira e o Guardarroupa (Ed. Martins Fontes)
– Vejam: não passa de um gatão!” O Leão, A Feiticeira e o Guardarroupa (Ed. Martins Fontes)
Bíblia: “Então, os soldados do governador (…) reuniram toda a tropa ao seu redor [Jesus]. Tiraram-lhe as vestes (…) e zombavam ‘Salve, rei dos judeus!’. Cuspiram nele e, tirando-lhe a vara, batiam-lhe com ela na cabeça.” Mateus 27:27-30
Comparação: Se Aslam perdeu a juba, Cristo perdeu suas roupas, dois símbolos de honra. Os dois foram maltratados e motivo de zombação de seus inimigos, no mesmo processo de sacrifício.
- Nárnia: “[Susana e Lúcia] olharam a sua volta. Lá, brilhando no nascer do sol, maior do que tinham visto antes, chacoalhando sua juba (porque tinha aparentemente crescido novamente) estava o próprio Aslam.” O Leão, A Feiticeira e o Guardarroupa (Ed. Martins Fontes)
Bíblia: ” Depois disso, manifestou-se em outra forma a dois deles que estavam de caminho para o campo.” Marcos 16:12
Comparação: Tanto Cristo, quanto Aslam mudaram de forma após a ressurreição, sua volta à vida.
- Nárnia: “‘Venham e comam seu café-da-manhã’ disse a ovelha com sua suave voz” O Navio da Alvorada (ABU Editora)
Bíblia: “Disse-lhes Jesus: Vinde e comei.” João 21:12
Comparação: Jesus e Aslam convidam as pessoas a partilhar a mesa consigo, um símbolo do convite à intimidade.
Há um relato em A Viagem do Peregrino da Alvorada feito pelo próprio Aslam em que a personagem confirma que seria no nosso mundo aquele que também atende a alcunha de “Leão de Judá” (termo usado pelos judeus da época de Jesus para designar o Messias que esperavam), não por mera coincidência; ou seja, ele seria o Cristo. Neste diálogo, Lewis também declarou sutilmente o motivo pelo qual escreveu os livros: leva a história bíblica às crianças e apresentar a elas este Deus de amor também em nosso mundo.
- [Você] Está também em nosso mundo?
- Estou. Mas tenho outro nome. Têm de aprender a conhecer-me por esse nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo-me um pouco, venham a conhecer-me melhor.”
O leão de uma simples história para crianças ou o símbolo de toda uma fé? Aslam é um personagem diferente para muitos, mas Lewis, que também era escritor de teologia, mostrou, pelas semelhanças e imagens usadas, que quis apresentar aos seus leitores aquele mesmo personagem que tanto intriga nosso mundo''.
O leão de uma simples história para crianças ou o símbolo de toda uma fé? Aslam é um personagem diferente para muitos, mas Lewis, que também era escritor de teologia, mostrou, pelas semelhanças e imagens usadas, que quis apresentar aos seus leitores aquele mesmo personagem que tanto intriga nosso mundo''.
Créditos
Biblia Comentada.com.br
Algumas informações retiradas de http://mural.uv.es/miba/index.html
Fotografias: flickr.com/picture_taker_2 ; flickr.com/Bonnie Woodson
Ilustração: Pauline Baynes
- See more at: http://mundonarnia.com/aslam-o-cristianismo-por-tras-do-leao.html#sthash.21Pop0KN.dpuf
Fotografias: flickr.com/picture_taker_2 ; flickr.com/Bonnie Woodson
Ilustração: Pauline Baynes
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Minicontos de Natal
1. CONTO DE NATAL
Alberto Carmo
Alberto Carmo
A família reunida reparte pães e bênçãos. Nas ruas ninguém ao desabrigo. Em cada casa, crianças abrem presentes, adultos trocam sorrisos.
Festas humildes e festas de pompa. Casas onde a ceia é simples, outras onde os pratos se multiplicam. Em nenhuma a mesa, ou a alma, vazia.
Nas mansões, governantes e empresários, juízes e doutores, repartem a riqueza ponderada.
Nos lares menos providos, a mesa suficiente, as bocas saciadas e os corações plenos de esperança pela primeira vez.
No céu, o horizonte acorda e espera o amanhecer de um mundo novo.
O ano… Bem, cabe a nós desenhar cada número que vai formar esse dia glorioso.
Feliz Natal!
Festas humildes e festas de pompa. Casas onde a ceia é simples, outras onde os pratos se multiplicam. Em nenhuma a mesa, ou a alma, vazia.
Nas mansões, governantes e empresários, juízes e doutores, repartem a riqueza ponderada.
Nos lares menos providos, a mesa suficiente, as bocas saciadas e os corações plenos de esperança pela primeira vez.
No céu, o horizonte acorda e espera o amanhecer de um mundo novo.
O ano… Bem, cabe a nós desenhar cada número que vai formar esse dia glorioso.
Feliz Natal!
2. PEDIDO DE NATAL
Ana Peluso
Ana Peluso
Sabe, Papai Noel, nesse natal, eu queria – de verdade – que as pessoas pensassem mais nelas mesmas do que em mim. Que fossem até suas casas e se abraçassem e depois aos seus, sem medo de disfarce, cara feia por trás das costas, diz-que-disse no canto da sala; e que não se presenteassem tanto com coisas que não podem carregar para sempre (e que não fazem delas pessoas mais felizes).
E que se fizessem orações, que fosse para – antes de tudo -perdoarem-se; e que não me olhassem apenas porquê sou uma criança e é meu aniversário, mas por terem vindo até mim, depois de se aceitarem como são; e que usassem do instrumento mais poderoso que existe, que é a compreensão -caso não conseguissem.
Depois queria que brindassem com o néctar do espírito, que é o amor, olhando-se nos olhos e sendo verdadeiras. Após a ceia, elas poderiam cantar e dançar em louvor ao meu Pai, de mãos dadas, e só se separariam quando voltassem aos seus templos que é dentro delas mesmas, e é a verdadeira morada onde Ele habita.
E seria lá, que mais tarde, passado mais um ano de vida, eu buscaria meus presentes: corações puros, porém fortes, porquê o amor fortalece e a verdade purifica. Almas em paz pela certeza de que nenhum olhar foi esquivo ou superposto. Espíritos ressonando alegria pela descoberta da certeza de que a vida se eleva, nunca cai.
E semblantes tranqüilos de quem já descobriu a verdade. Ela é nela que EU SOU.
E que se fizessem orações, que fosse para – antes de tudo -perdoarem-se; e que não me olhassem apenas porquê sou uma criança e é meu aniversário, mas por terem vindo até mim, depois de se aceitarem como são; e que usassem do instrumento mais poderoso que existe, que é a compreensão -caso não conseguissem.
Depois queria que brindassem com o néctar do espírito, que é o amor, olhando-se nos olhos e sendo verdadeiras. Após a ceia, elas poderiam cantar e dançar em louvor ao meu Pai, de mãos dadas, e só se separariam quando voltassem aos seus templos que é dentro delas mesmas, e é a verdadeira morada onde Ele habita.
E seria lá, que mais tarde, passado mais um ano de vida, eu buscaria meus presentes: corações puros, porém fortes, porquê o amor fortalece e a verdade purifica. Almas em paz pela certeza de que nenhum olhar foi esquivo ou superposto. Espíritos ressonando alegria pela descoberta da certeza de que a vida se eleva, nunca cai.
E semblantes tranqüilos de quem já descobriu a verdade. Ela é nela que EU SOU.
Ass: Menino Jesus
3. A MAGIA DO NATAL
Argento
Argento
“Lembranças antigas de natal,
sonhos, fantasias de criança.
Passar a noite sem dormir,
esperando Papai Noel chegar.”
sonhos, fantasias de criança.
Passar a noite sem dormir,
esperando Papai Noel chegar.”
Todo ano a magia se renovava. A vila inteira esperava com um misto de apreensão e alegria a chegada dele. Aquilo era na verdade um espetáculo único, os olhos das crianças brilhavam e todos aguardavam ansiosos a chegada do bom velhinho.
Mal ele surgia no início da rua e a molecada ficava eufórica, ele trazia os presentes, um sorriso e principalmente aquelas palavras de sabedoria. Todos agradeciam e prometiam que iam se comportar melhor no ano seguinte, que iam respeitar os país, os avós e tratar seus irmãos e amigos com carinho evitando brigas e confusões.
Num certo dia porém, aconteceu o inesperado. Quando nosso bravo Papai Noel foi conversar com uma garotinha linda de três anos de idade:
- Oi, menininha. Você se comportou direitinho esse ano?
- Sim, cadê minha boneca de pano papai?
- Papai Noel trouxe ela sim, ta aqui!
- Papai Noel que nada! Você é o meu pai!
- Quê isso? Sou o Papai Noel em carne e osso!
- Então chega aqui pertinho de mim, vai!
- Num falei, você ta usando os óculos do papai e essa barba falsa!
Puxou a barba do bom velhinho que ficou desconcertado. No final os dois se abraçaram, choraram e sorriram juntos.
A magia, não foi porém quebrada. Aquele bom homem ainda passou vários natais se vestindo naquele traje especial, transmitindo amor e paz pelos corações daquelas privilegiadas crianças.
Mal ele surgia no início da rua e a molecada ficava eufórica, ele trazia os presentes, um sorriso e principalmente aquelas palavras de sabedoria. Todos agradeciam e prometiam que iam se comportar melhor no ano seguinte, que iam respeitar os país, os avós e tratar seus irmãos e amigos com carinho evitando brigas e confusões.
Num certo dia porém, aconteceu o inesperado. Quando nosso bravo Papai Noel foi conversar com uma garotinha linda de três anos de idade:
- Oi, menininha. Você se comportou direitinho esse ano?
- Sim, cadê minha boneca de pano papai?
- Papai Noel trouxe ela sim, ta aqui!
- Papai Noel que nada! Você é o meu pai!
- Quê isso? Sou o Papai Noel em carne e osso!
- Então chega aqui pertinho de mim, vai!
- Num falei, você ta usando os óculos do papai e essa barba falsa!
Puxou a barba do bom velhinho que ficou desconcertado. No final os dois se abraçaram, choraram e sorriram juntos.
A magia, não foi porém quebrada. Aquele bom homem ainda passou vários natais se vestindo naquele traje especial, transmitindo amor e paz pelos corações daquelas privilegiadas crianças.
(*) Em memória do meu tio Armando, o melhor “Papai Noel” que já tive.
4. NATAL OUTRA VEZ
Bárbara Helena
Bárbara Helena
Sei que é Natal porque sinto o cheiro das castanhas assadas na varanda da memória. Passam carros ao longe, carruagens, carroças, foguetes.
Posso ouvir o sussurro das folhas do pinheiro. E as pessoas que cantam, o som agudo das flautas infantis. De longe vem o cheiro de canela das rabanadas, do vinho, da champanhe estourando em torno de mim.
Sim. É Natal outra vez.
Então, eu atravesso a sala com meu vestido de lua, pego sua mão que me enlaça e me estreita, beijo sua boca de mistérios.
Dançamos o Natal, as festas, o Ano Novo. Dançamos a esperança.
Somos todos os reis, os bispos, as rainhas. Somos todos peões da nossa fantasia.
É Natal outra vez, ainda.
Posso ouvir o sussurro das folhas do pinheiro. E as pessoas que cantam, o som agudo das flautas infantis. De longe vem o cheiro de canela das rabanadas, do vinho, da champanhe estourando em torno de mim.
Sim. É Natal outra vez.
Então, eu atravesso a sala com meu vestido de lua, pego sua mão que me enlaça e me estreita, beijo sua boca de mistérios.
Dançamos o Natal, as festas, o Ano Novo. Dançamos a esperança.
Somos todos os reis, os bispos, as rainhas. Somos todos peões da nossa fantasia.
É Natal outra vez, ainda.
5. ENCOMENDA ERRADA
Beto Muniz
Beto Muniz
Pediu um cachorro pro papai Noel.
Enviou cartinha para o pólo norte e teve o zelo de procurar envelope impermeável, apesar do cuidado em utilizar caneta com tinta especial: “sabe-se lá se as cartinhas não ficam úmidas com aquele tantão de neve”.
Nas vésperas do natal estava feliz, primeira confraternização em seu primeiro emprego. Recepcionista, mas só fazia atender ao telefone: “não importa, todos começam por baixo e vão crescendo”. Só ela não crescia, permanecia menina no corpo de mulher, e foi na festa, brindando com os colegas, que descobriu o olhar faminto de Aristeu, cão sem dono.
A cartinha chegara intacta às mãos do Papai Noel. Nenhum borrão nas letrinhas redondinhas de menina-moça. Uma pena.
Enviou cartinha para o pólo norte e teve o zelo de procurar envelope impermeável, apesar do cuidado em utilizar caneta com tinta especial: “sabe-se lá se as cartinhas não ficam úmidas com aquele tantão de neve”.
Nas vésperas do natal estava feliz, primeira confraternização em seu primeiro emprego. Recepcionista, mas só fazia atender ao telefone: “não importa, todos começam por baixo e vão crescendo”. Só ela não crescia, permanecia menina no corpo de mulher, e foi na festa, brindando com os colegas, que descobriu o olhar faminto de Aristeu, cão sem dono.
A cartinha chegara intacta às mãos do Papai Noel. Nenhum borrão nas letrinhas redondinhas de menina-moça. Uma pena.
6. CONTINHO DE NATAL
Daisy Melo
Daisy Melo
Solidão é coisa conhecida e ela está sozinha a maior parte do tempo.
Mas arruma a árvore com aqueles enfeites de quando as crianças eram pequenas e prepara a ceia.
Veste o vestido vermelho que usou naquele dia especial, há tanto tempo. Perfuma o pescoço, coloca o brinco, se olha no espelho. Está linda.
Enquanto espera os filhos e os netos, escreve uma poesia e faz um pedido para a estrela cadente que passa veloz através da sua noite: só deseja paz.
Todo o resto que precisa virá finalmente, com esse Natal diferente.
Mas arruma a árvore com aqueles enfeites de quando as crianças eram pequenas e prepara a ceia.
Veste o vestido vermelho que usou naquele dia especial, há tanto tempo. Perfuma o pescoço, coloca o brinco, se olha no espelho. Está linda.
Enquanto espera os filhos e os netos, escreve uma poesia e faz um pedido para a estrela cadente que passa veloz através da sua noite: só deseja paz.
Todo o resto que precisa virá finalmente, com esse Natal diferente.
7. CARTA PARA PAPAI NOEL
Emília Maria Martins Lopes
Emília Maria Martins Lopes
“Querido Papai Noel
Não quero nada para mim, mas gostaria que realizasse um desejo. Não sei se é possível. Já me disseram que é besteira, que estou sonhando, mas mesmo assim vou tentar:
Queria que no mundo houvesse uma coisa especial porque acredito que com isso as pessoas não brigariam, não passariam fome, não roubariam, não matariam, não discutiriam e, principalmente, voltariam a sonhar.
Só peço para que haja, entre todas as pessoas, mais Respeito.
Se puder me atender, eu agradeço do fundo do meu coração.
Acredito que de ilusão também se vive.
Queria que no mundo houvesse uma coisa especial porque acredito que com isso as pessoas não brigariam, não passariam fome, não roubariam, não matariam, não discutiriam e, principalmente, voltariam a sonhar.
Só peço para que haja, entre todas as pessoas, mais Respeito.
Se puder me atender, eu agradeço do fundo do meu coração.
Acredito que de ilusão também se vive.
8. PRESENTE DE NATAL
Ivone Carvalho
Ivone Carvalho
Esperava o bebê para o final do mês. Como toda mãezinha, aguardava com ansiedade sua chegada, mas estava feliz por saber que passaria o Natal com a família, como todos os anos.
Preparou a festa, decorou a casa, colocou os presentes sob a árvore, arrumou a mesa com pratos deliciosos. Vestiu-se e recebeu os convidados. A família toda reunida, música alegre, risos, fotos. Uma contração. Duas, muitas. Foi levada para a maternidade. À meia noite, enquanto todos brindavam em sua casa, ela ouvia o mais terno e divino choro, que fez seus lábios repetirem, entre lágrimas, que Natal é Vida!
Preparou a festa, decorou a casa, colocou os presentes sob a árvore, arrumou a mesa com pratos deliciosos. Vestiu-se e recebeu os convidados. A família toda reunida, música alegre, risos, fotos. Uma contração. Duas, muitas. Foi levada para a maternidade. À meia noite, enquanto todos brindavam em sua casa, ela ouvia o mais terno e divino choro, que fez seus lábios repetirem, entre lágrimas, que Natal é Vida!
9. NATAL BRANCO
Leila Barros
Leila Barros
Na minha lista de presentes, vou acrescentar:
Um Natal branco, sem neve, só a alvura das almas e do algodão doce e nos telhados uma garoinha de coco ralado.
Vou querer um Natal de plumas de anjos e também de seres reais, com os quais eu possa trocar abraços e ideais, poesias e rabanadas!
Há de ser um natal branco de açúcar cristal, com anjos de meia asa a assoviar.
Quero sentir os aromas dos fornos alheios, guarnecidos de compaixão e calor.
Desejo estrelas moídas para salpicar em todos meus amores, amigos e seres afins…
Há de ser um Natal dente de leite…
Branquinho assim…
Um Natal branco, sem neve, só a alvura das almas e do algodão doce e nos telhados uma garoinha de coco ralado.
Vou querer um Natal de plumas de anjos e também de seres reais, com os quais eu possa trocar abraços e ideais, poesias e rabanadas!
Há de ser um natal branco de açúcar cristal, com anjos de meia asa a assoviar.
Quero sentir os aromas dos fornos alheios, guarnecidos de compaixão e calor.
Desejo estrelas moídas para salpicar em todos meus amores, amigos e seres afins…
Há de ser um Natal dente de leite…
Branquinho assim…
10. ÁRVORE COLORIDA
Luís Valise
Luís Valise
Família reunida, barulho, risadas, crianças correndo pela casa, Feitosa adorava as noites de Natal. A bebida estampava em negrito o espírito cordial e fraterno que juntava aquelas pessoas todos os anos. Durante o ano mal se viam ou falavam, mas na noite de Natal os corações transbordavam alegria e contentamento.
Depois que os presentes foram abertos, Feitosa olhou a cunhada e foi para os fundos. Logo chegou Anita, bochechas vermelhas, olhar radiante. No escuro do quintal, atrás de um pé de jaboticaba, suas bocas se encontraram. Sobre o telhado, atrás da chaminé, Papai Noel ajeitou o saco vermelho e pesado:
- Isso ainda vai dar merda.
Depois que os presentes foram abertos, Feitosa olhou a cunhada e foi para os fundos. Logo chegou Anita, bochechas vermelhas, olhar radiante. No escuro do quintal, atrás de um pé de jaboticaba, suas bocas se encontraram. Sobre o telhado, atrás da chaminé, Papai Noel ajeitou o saco vermelho e pesado:
- Isso ainda vai dar merda.
11. CONTO DE (PRÉ) NATAL
Raymundo Silveira
Raymundo Silveira
Joana já se encontrava no sexto mês de gravidez e estava muito inchada. Saiu de casa, às duas da madrugada a fim de não perder a ficha para a primeira consulta pré-natal. Antes, já havia tentado, mas nunca houve vagas. Ainda assim teve de pagar cinco “contos” a um guardador de lugar na fila. Tentou dormir um pouco, mas o frio, o medo e a dureza do chão a impediram.
Às sete da manhã, um vigia entreabriu a porta principal e avisou: “Atenção! Todas as gestantes têm de remarcar nova consulta para depois de amanhã. Hoje é dia da confraternização natalina dos funcionários deste Posto e amanhã será feriado.
Às sete da manhã, um vigia entreabriu a porta principal e avisou: “Atenção! Todas as gestantes têm de remarcar nova consulta para depois de amanhã. Hoje é dia da confraternização natalina dos funcionários deste Posto e amanhã será feriado.
12.ATÉ UMA CRIANÇA ENTENDE
Thaty Marcondes
Thaty Marcondes
- Mãe, me leva no shop?
- O dinheiro mal dá pra comer e você quer ir ao Shopping? Tá maluca, menina?
- O Papai Noé tem dinelo!
- O Papai Noel, seu pai, sua mãe, todo mundo tá sem dinheiro! E o Lula, que foi pobre também, proibiu presentes este ano! Natal é pra ir à Igreja rezar pro Menino Jesus que vai nascer, bem pobrezinho, lá longe! Pronto. Entendeu agora?
- Num tendi nadica de nada! O Papai Noé tem dinelo puqui tabáia no shop, sua boba! Num vô pidi a buneca pá ele puqui ele tem di dá lopinha pu nenê Jesus! Eu tloco a boneca pela olação, tá? Ele é velinho: num paga ôminus, né? Faiz um bolinho pá ele levá na viage?
- O dinheiro mal dá pra comer e você quer ir ao Shopping? Tá maluca, menina?
- O Papai Noé tem dinelo!
- O Papai Noel, seu pai, sua mãe, todo mundo tá sem dinheiro! E o Lula, que foi pobre também, proibiu presentes este ano! Natal é pra ir à Igreja rezar pro Menino Jesus que vai nascer, bem pobrezinho, lá longe! Pronto. Entendeu agora?
- Num tendi nadica de nada! O Papai Noé tem dinelo puqui tabáia no shop, sua boba! Num vô pidi a buneca pá ele puqui ele tem di dá lopinha pu nenê Jesus! Eu tloco a boneca pela olação, tá? Ele é velinho: num paga ôminus, né? Faiz um bolinho pá ele levá na viage?
13. CARTA DE UM ANJO
Thaty Marcondes
Thaty Marcondes
O anjo acordou triste, ao ver tantas crianças e mães lacrimosas, com o Natal se aproximando.
Arrancou uma pena da asa esquerda. Doeu – menos do que doía aquela tristeza – e sangrou um pouco. Aproveitou e escreveu uma carta, com a pena molhada no sangue do ferimento:
- Senhor, deixa-me ajudar a aliviar o sofrimento destas pessoas tão tristes, tão desafortunadas. Que um sorriso se estampe em seus rostos magros, que a alegria paire, ao menos, neste Natal!
As crianças não entenderam muito bem aquele Papai Noel que apareceu na favela: tinha asas e trazia, além de brinquedos, muita comida gostosa!
Arrancou uma pena da asa esquerda. Doeu – menos do que doía aquela tristeza – e sangrou um pouco. Aproveitou e escreveu uma carta, com a pena molhada no sangue do ferimento:
- Senhor, deixa-me ajudar a aliviar o sofrimento destas pessoas tão tristes, tão desafortunadas. Que um sorriso se estampe em seus rostos magros, que a alegria paire, ao menos, neste Natal!
As crianças não entenderam muito bem aquele Papai Noel que apareceu na favela: tinha asas e trazia, além de brinquedos, muita comida gostosa!
14. UM CONTO DE NATAL
Vera Vilela
Vera Vilela
A menina olha o céu, vê uma estrela e aperta em sua mão – a cartinha que escreveu para o barbudo – aquele que viu na televisão da vizinha e pede:
- Senhor Barbudo! Quero uma bicicleta, pra passear com meu pai. Desce para sua casa e dorme.
No sonho o Senhor Barbudo chega numa carroça puxada por cavalos e entrega a sua bicicleta.
Amanhece.
Ela corre até o portão e vê o pai sair de maca de uma ambulância.
- Foi atropelado com sua bicicleta. O dono do carro deu esta caixa de presente, é para a menina. Afinal hoje é Natal.
Era uma bicicleta.
O pai não mais andou. A bicicleta foi vendida, a menina nunca a usou.
- Senhor Barbudo! Quero uma bicicleta, pra passear com meu pai. Desce para sua casa e dorme.
No sonho o Senhor Barbudo chega numa carroça puxada por cavalos e entrega a sua bicicleta.
Amanhece.
Ela corre até o portão e vê o pai sair de maca de uma ambulância.
- Foi atropelado com sua bicicleta. O dono do carro deu esta caixa de presente, é para a menina. Afinal hoje é Natal.
Era uma bicicleta.
O pai não mais andou. A bicicleta foi vendida, a menina nunca a usou.
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